O que é TOC

O transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) é um transtorno heterogêneo
que se caracteriza pela presença de obsessões e ou compulsões, que consomem tempo ou interferem de forma significativa nas rotinas diárias do indivíduo, no seu trabalho, na sua vida familiar ou social e causam acentuado sofrimento.
O TOC acomete ao redor de 2,5% da população em geral, com os sintomas iniciando geralmente ao final da adolescência e muitas vezes ainda na infância, sendo raro seu início depois dos 40 anos. Por vários motivos é considerado um transtorno mental grave, pois em aproximadamente 10% dos casos seus sintomas são muito graves e incapacitantes. Além disso, seu curso geralmente é crônico.
Banaco e Zamignani (2003) apontam que as preocupações que tornam o foco de um pensamento obsessivo estão intimamente relacionadas com a cultura na qual a pessoa vive. Antigamente, os temas religiosos ocupavam muito maior espaço na vida das pessoas, sendo este o principal assunto das obsessões da época: obsessões de blasfêmias, por exemplo, que precisavam ser neutralizadas com orações e autoflagelo por portarem conteúdos “impuros” que ofendiam a fé e os bons costumes, mas passíveis de purificação via rituais.
Os mesmos autores (2003) apontam que hoje, dadas algumas determinações de nossa cultura, os principais temas que povoam as obsessões estão relacionados com as preocupações do mundo contemporâneo. Algumas pessoas têm medo de perder o ente querido, outras, medo de contaminar-se via contato com pessoas, agulhas, objetos utilizados por outras pessoas, sangue; outros mantêm rituais para que algo não aconteça com ele ou a um ente querido (exemplo: se eu não der 7 pulos toda manhã, após sair da minha cama, minha mãe pode morrer). Conforme decorremos pelos diferentes ambientes (empresas, escolas, parques, cinemas, entre outros), encontramos diferentes tipos de problemáticas que podem afetar um portador deste transtorno.
A violência diária pode ser um grande desencadeador dos sintomas do TOC. Frente a assaltos, ou relatos de pessoas que foram assaltadas, algumas pessoas passam a desenvolver rituais de “checagem”, dentre eles, podemos citar: verificar portas, trancas, janelas, cadeados e correntes mais de uma vez, frente a uma “insegurança” obsessiva que empareia-se ao pensamento dos indivíduos.