As faces da esquizofrenia

A esquizofrenia é uma doença psíquica, caracterizada, principalmente, por alterações do pensamento e da percepção. O paciente se vê como pivô de tudo o que ocorre ou interpreta a realidade de forma distorcida. Cria uma realidade particular e perde a capacidade de discernimento, agindo como alguém que rompeu as amarras da razão e perdeu a liberdade de escapar às suas fantasias, o que leva ao delírio. De maneira geral, a esquizofrenia acomete homens de 15 anos a 25 anos e mulheres de 20 anos a 30 anos, com igual incidência entre os sexos. Costuma ser mais grave no sexo masculino por se iniciar mais cedo, quando a estrutura psíquica ainda está em formação.

Suas causas ainda não foram descobertas. Sabe-se que há uma confluência de fatores: predisposição genética e influência de fatores vivenciais. Quando um dos pais tem a doença, a chance de um filho apresentá-la é de 10%. Se pai e mãe apresentam o quadro, o risco aumenta para 40% a 50%, o que reforça a hipótese genética. Complicações na gestação e período neonatal, instabilidade familiar na infância, uso de drogas na adolescência também são fatores de risco. Além disso, estudos mostram que o ambiente pode influir na evolução do quadro: pacientes que vivem nas grandes cidades, em geral, têm prognóstico pior que os que vivem em ambientes tranquilos.

A doença, geralmente, começa a se manifestar com quadro similar à depressão e com mudanças bruscas de comportamento. O principal sintoma é quando a pessoa começa a ouvir vozes (alucinações auditivas) ou apresentar delírios. Muitas vezes, as vozes são ameaçadoras, ofendendo ou enviando ordens para que o paciente se suicide.

O diagnóstico é feito por meio de análise da história e dos sintomas clínicos do paciente, não havendo exame laboratorial ou de neuroimagens característicos.

O tratamento leva em conta dimensões biológicas, psíquicas e sociais. No projeto terapêutico estão incluídos medicação, psicoterapia e participação no convívio social. É sempre importante respeitar as possibilidades de cada paciente, pois alguns percebem no outro o inimigo e se sentem ameaçados.

Não se fala em cura da doença, mas em estabilização do paciente. Quando bem acompanhado, tanto do ponto de vista medicamentoso quanto subjetivo, com a orientação familiar e a inclusão adequada na sociedade, o esquizofrênico pode ter uma vida bem- sucedida, produtiva e com menos sofrimento.